| Desde o início da década passada a crescente
viabilidade técnica e econômica dos computadores possibilitou
notável automação dos processos em todos os setores
da economia. Como conseqüência, a velocidade do avanço
tecnológico tornou-se muito maior do que a capacidade de adaptação
da sociedade, principalmente no tocante às questões trabalhistas
e ao sistema educacional.
Em termos simples, automação é o uso de máquinas
para comandar máquinas, desde o simples termostato da geladeira
até o sofisticado robô industrial que substitui vários
trabalhadores de uma linha de montagem. Considerada o mais longo passo
do progresso tecnológico, a automação foi prevista
por Aristóteles há 300 anos A.C. como um tempo em que ferramentas
reunidas executariam per si o trabalho a que foram destinadas.
Nenhuma máquina tem a versatilidade e a criatividade do cérebro
humano, o mais complexo aparato estrutural conhecido pela ciência.
Atualmente, porém, em diversas atividades, as máquinas automáticas
levam vantagens sobre o corpo humano e máquinas que exigem atenção
humana. Alguns instrumentos realizam trabalhos que o homem nem mesmo poderia
realizá-los em condições extremas de pressão,
temperatura, radiação, contaminação e outras
situações de risco de morte ou acidentes graves.
Os mais recentes e impressionantes avanços da automação
têm ocorrido na área dos sentidos: audição,
visão, tato, paladar e olfato. Sensores auditivos e visuais estão
bem estabelecidos no mercado há vários anos e em diversas
aplicações; avanços nessas áreas dependem
mais da velocidade de processamento dos computadores e da sofisticação
dos programas do que da evolução dos sensores. Mais recente,
sensores táteis já estão sendo aplicados em robótica,
biomecânica, aerodinâmica e mecânica dos fluidos. Por
sua vez, sensores olfativos e gustativos estão em estágio
menos avançado, principalmente os destinados à simulação
das sensações humanas, porque sensores olfativos e gustativos
são mais complexos que os anteriores, desde os transdutores até
o processamento dos sinais. A ênfase aqui são para os sensores
de paladar e aplicados a analise de bebidas de interesse para o agronegócio.
Os sensores de aroma (nariz eletrônico) ou de paladar (língua
eletrônica) devem reconhecer misturas de grande número de
substâncias químicas, gasosas ou liquidas, por método
análogo ao humano, ou seja, a seletividade global. Dessa maneira,
reconhecemos e avaliamos aromas e sabores combinando as sensações
singulares e comparando com sensações prévias memorizadas.
Nos alimentos existem centenas de milhares de diferentes substâncias
que produzem sabor, ocorrem efeitos mútuos e as quantidades dos
componentes não são necessariamente determinantes do sabor.
Por isso, não somos capazes de determinar cada uma das substâncias,
mas discriminamos alimentos através da combinação
dos cinco sabores básicos: doce, salgado, azedo, amargo e umami.
Umami é o sabor típico da carne produzido por vários
aminoácidos e nucleotídeos (glutamato e aspartato).
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), através
da sua unidade- Embrapa Instrumentação Agropecuária-
e a Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma língua
eletrônica (LE), baseada em filmes nanométricos de polímeros
condutores, com sensibilidade até mil vezes maior que a do homem.
A LE nacional tem destacado-se entre os quatro tipos de línguas
existentes no mundo devido à sua maior capacidade de discriminar
sutis diferenças entre bebidas do mesmo tipo. Como não é
viável construir uma LE eficiente para analisar qualquer tipo de
bebida, a Embrapa tem trabalhado no desenvolvimento de LEs especializadas
para cada um dos seguintes líqüidos: café, vinho, suco
de frutas, água e leite.
No dia 15 de setembro de 2005, a Embrapa lançou edital público
de seleção de empreendedores para ingresso no programa de
incubação de empresas da Embrapa, em parceria com a Fundação
Parque de Alta Tecnologia São Carlos – ParqTec. Uma das cinco
tecnologias do portfólio da Embrapa Instrumentação
Agropecuária é a LE dedicada à análise do
café; trabalho recém concluído em que LE classifica
o café torrado e moído por meio de notas, calibrado em concordância
com equipe de degustadores treinados SINDICAFESP (Sindicato da Indústria
de Café do Estado de São Paulo). Portanto, em breve estarão
no mercado línguas eletrônicas para os agentes da cadeia
produtiva do café: produtores, cooperativas, associações
e indústrias. Os agricultores poderão ter conhecimento prévio
da classificação dos grãos e assim maior segurança
nas negociações, as indústrias poderão controlar
a qualidade em diversas etapas do processo, as associações
e outros órgãos certificadores terão uma ferramenta
mais rápida e precisa para a fiscalização.
João de Mendonça Naime
Pesquisador - EMBRAPA/CNPDIA
http://www.agronline.com.br
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A globalização,
com a formação de blocos econômicos, maior velocidade
na troca de informações, evolução mais rápida
de tecnologias e a crescente complexidade e incerteza do ambiente organizacional
vem influindo decisivamente para a mudança do padrão de
concorrência das empresas. Somado a isto, com o fim da inflação
desenfreada na última década, ocorreram mudanças
expressivas no padrão de consumo. Isto afeta visceralmente o modelo
de gestão das empresas, voltando-as para o cliente. A isto chamamos
de gestão da qualidade.
Normalmente a escolha por determinadas marcas ou produtos
pelos clientes envolve alguns fatores. Um deles é a qualidade intrínseca
dos produtos (aspecto, cheiro, cor entre outros). Não menos importante
é o custo, e para isto ganhos de escala, melhoria nos processos,
e outros são fundamentais para aumentar a competitividade. Outro
aspecto é a segurança alimentar, e por isso o empresário
deve estar atento para um rigoroso controle de qualidade da matéria-prima
e para o controle de processos para se evitar contaminação
física, microbiana e química (antibióticos, praguicidas,
e outros). A eficiência no atendimento, ou eficiência logística
também é outro fator crítico. Por fim destacamos
a moral da empresa, ou ainda, como ela se relaciona com os seus colaboradores,
a credibilidade da marca, a responsabilidade social e ambiental, além
de outros atributos intangíveis.
Quando falamos de agronegócio devemos considerar
uma complexa rede de troca de mercadorias, serviços, dinheiro e
informações que ocorrem entre os diversos atores de uma
cadeia produtiva, desde os fornecedores de insumos e outros bens e serviços
antes da porteira, passando pela produção agropecuária
em si, e os atores à jusante da porteira, como agroindústrias
e distribuidores, até chegar ao consumidor.
Considerando esta intrincada cadeia de suprimentos, podemos
dizer que a qualidade é definida pelo elo mais fraco, no caso o
produtor rural. Geralmente, comparando-se com as indústrias de
insumos, agroindústrias e distribuidores os produtores rurais enfrentam
maiores problemas de infra-estrutura, capacitação gerencial/administrativa,
além de sofrer mais intensamente com fatores biológicos
e climáticos.
Portanto a qualidade como fator de competitividade deve
ser trabalhada na cadeia produtiva como um todo, capitaneada por setores
mais a jusante da porteira, desenvolvendo um trabalho que envolva múltiplos
conhecimentos, para traduzir em atributos do produto (químicos,
físicos, organolépticos) os desejos de sua majestade, o
cliente.
José Eduardo Ferreira da Silva
Diretor de Comercialização - SEAPA - MG
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Que o clima governa o tempo, que o tempo determina a distribuição
das águas no planeta e que a água controla a vida é
bastante óbvio. Basta que se observe o clichê que a água
é, sobre a superfície terrestre, a um só tempo, nosso
bem mais precioso e abundante.
Pode admitir-se que a quantidade total de água existente na Terra,
nas suas três fases, sólida, líquida e gasosa, se
tem mantido constante, desde o aparecimento do Homem. A água da
Terra - que constitui a hidrosfera - distribui-se por três reservatórios
principais, os oceanos, os continentes e a atmosfera, entre os quais existe
uma circulação perpétua - ciclo hidrológico.
O ciclo hidrológico é, portanto, o fenômeno global
de circulação da água entre a superfície terrestre
e a atmosfera, impulsionado fundamentalmente pela quantidade de radiação
solar incidindo sobre a superfície terrestre e à rotação
da Terra.
As trocas entre circulações da superfície terrestre
e da atmosfera, fechando o ciclo hidrológico, ocorrem em dois sentidos:
a) no sentido atmosfera - superfície, onde a transferência
de água ocorre em qualquer estado físico, sendo mais significativa,
as precipitações de chuva e neve; b) no sentido superfície
– atmosfera, onde a ascensão do vapor de água ocorre,
fundamentalmente, como decorrência da evapotranspiração.
Se a evapotranspiração é o processo crítico
na remoção de água dos oceanos e dos continentes,
seu parceiro no ciclo hidrológico passa a ser as diferentes formas
como as águas se precipitam sobre a superfície terrestre
- chuva ou neve. Ou seja, as precipitações são elementos
alimentadores da fase terrestre do ciclo hidrológico e constitui-se
de importante fator para os processos de escoamento superficial direto,
infiltração, evaporação, transpiração,
recarga de aqüíferos e vazão básica dos rios.
A superfície terrestre se constitui, em macro escala, obviamente,
dos continentes e dos oceanos. Muito embora a menor parte do ciclo hidrológico
seja constituída pela circulação da água nas
superfícies continentais, isto é: a circulação
de água no interior e na superfície dos solos e rochas,
nos lagos e rios e principalmente no interior dos ecossistemas. Ou seja,
num ecossistema a fonte da entrada de água no solo é composta
de precipitação pluviométrica menos a parcela dessa
água que é interceptada pela vegetação. Dessa
forma a vegetação exerce um importante papel no ciclo hidrológico
tanto em nível de quantidade como de qualidade de água não
somente pela evapotranspiração, mas também pela interceptação
da água de chuva.
Em ecossistemas os componentes mais importantes da evapotranspiração
são as perdas por intercepção e a transpiração.
Perda por intercepção, i.e., a evaporação
direta a partir das copas molhadas em períodos de chuva, é
com freqüência negligenciada em aplicações práticas,
embora seja uma componente evapotranspiração muito importante
termos relativos, principalmente em povoamentos aerodinamicamente rugosos.
A sua quantificação é, usualmente, obtida como %
da precipitação incidente. A análise do processo
de intercepção precipitação pelas copas das
árvores engloba a estimativa do valor da perda por intercepção
e a redistribuição espacial da precipitação
junto ao solo induzida pela presença física da copa das
árvores. Já que a interceptação representa,
uma importante parcela das precipitações que se precipitam
sobre um ecossistema, retornando parte desta à atmosfera por evaporação
antes de atingir ao solo, contribuindo assim diretamente para a massa
de vapor de água precipitável na atmosfera.
Nos ecossistemas naturais a redistribuição da água
de chuva, onde as copas das árvores formam um sistema natural de
amortecimento, direcionamento e retenção das gotas da chuva
que chegam ao solo, afetando a dinâmica do escoamento superficial
e consequentemente o processo de infiltração e o escoamento
superficial das águas em direção aos rios e aquedutos.
Esse processo se inicia quando, no seu estágio inicial, uma chuva
incide sobre um ecossistema, tem a totalidade do volume precipitado interceptado
pelas partes aéreas de sua cobertura vegetal até que, pela
saturação das camadas superiores da copa, a chuva passa
a ser então redistribuída alcançando o solo como
gotejamento ou precipitação interna e como fluxo superficial
que se escoa pelos ramos e é direcionando para o troco das árvores.
O somatório desses dois fluxos hídricos que penetram no
dossel de um específico ecossistema é, chamado de precipitação
efetiva, sendo esta responsável pela deposição da
água do solo, pela absorção através das raízes,
pela transpiração das comunidades vegetais e, também,
pelo escorrimento superficial. Por outro lado, a água retida das
superfícies vegetadas é subsequentemente evaporada contribui
para retro alimentar a atmosfera. O que justifica se afirmar que, em se
tratando de ecossistemas florestais, os componentes mais importantes da
evapotranspiração são as perdas por interceptação
e a transpiração.
A quantidade de água das variáveis envolvidas na precipitação
efetiva depende de fatores relacionados com: as características
da precipitação incidente, condições climáticas
prevalecentes nos locais e/ou regiões onde os ecossistemas estão
inseridos, do tipo e densidade da vegetação e do período
do ano.
As características da precipitação são a intensidade,
o volume precipitado e a recorrência das chuvas precipitadas. Em
ecossistemas florestais, usualmente, para pequenos volumes precipitados
(0,3 a 0,5 mm), 100% é interceptado. Para chuvas superiores a 1
mm, de 10 a 40% podem ficar retidos pela vegetação. Com
relação às chuvas com diferentes intensidades, se
observa que para o mesmo total precipitado a interceptação
diminui com o aumento da intensidade. Precipitações precedidas
por períodos de um mínimo de 24 horas sem ocorrência
de chuva, acarretam uma curva de precipitação-interceptação
diferente de ocorrência precedida por condições úmidas.
Ou seja, valores significativos de valores de água interceptada
têm sido monitorados de acordo a intensidade, duração
e freqüência das chuvas.
O tipo de vegetação caracteriza a quantidade de gotas que
cada folha pode interceptar e o adensamento foliar interfere nas quantidades
de água interceptadas num determinado ecossistema. Em geral as
folhas interceptam a maior parcela da precipitação incidente,
embora em alguns tipos ecossistema, em função da disposição
de seus ramos e do tronco, possam ocorrer significativas retenções
da água de chuva precipitada.
Em função do afirmado é que estudos recentes sobre
a redistribuição da precipitação efetiva sob
copas isoladas têm-se observado a ocorrência de zonas de concentração
de precipitação sob as copas. Resultados têm revelado
aumentos globais de precipitação sob a copa nos quadrantes
virados aos ventos dominantes. Por isso se afirmar que a acumulação
de precipitação em certas zonas sob a copa é certamente
determinante para interpretação da heterogeneidade da vegetação
herbácea na área.
A repartição das chuvas por florestas urbanas no Maciço
da Tijuca (RJ), determinou-se a precipitação interna como
sendo equivalente a 89% da precipitação incidente. A interceptação
foi estimada em 11%, muito embora não tenham sido amostrados os
fluxos de escoamento superficial. Em Cubatão (SP), em floresta
degrada por poluição atmosférica se obteve valores
entorno de 72% de precipitação interna, Muito embora, num
conglomerado florestal preservado esse valor tenha reduzido para 66%.
Quanto a aspectos relacionados com a sazonalidade da interceptação.
Em cacaueiros, se observou que o pico de lançamento foliar do verão
teve efeitos sobre a perda média por interceptação
de 27% registrada no outono. No inverno, a interceptação
média de 23% é devido à presença das chuvas
fracas (= 5,5 mm/dia). No entanto na primavera e no verão, embora
com índices de 17% e 13% respectivamente, as perdas por interceptação
são associadas ao decréscimo foliar das copas dos cacaueiros
e a principalmente à intensificação dos volumes precipitados
e a intermitência das nos meses do verão.
Fatores experimentais também influenciam os resultados encontrados
nos estudos destes processos, dificultando a comparação
entre locais e ecossistemas. Em termos gerais, pode-se dizer que em florestas
tropicais 75 a 96% da precipitação incidente transformam-se
em precipitação interna, entre 1 a 2% é convertida
em escoamento superficial pelo tronco e entorno de 4 e 24% é em
média interceptada pelas copas das árvores.
Ricardo Augusto Calheiros de Miranda
Professor - UERJ
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